E então depois de tanto fumar aquela essência de chocolate com canela, estava na hora de trocar a água. Ninguém na roda queria perder seu tempo indo trocar a porcaria da água. Mas sempre tem a alma boa. Tirei as mangueiras, a parte de cima do narguilé, olhei pra minha amiga, ela segurou a parte de cima, e eu fui para a cozinha, trocar a merda da água, passei por todos aqueles quadros, e aquelas esculturas, será que B. ainda não tinha se tocado que aquele papel de parede victoriano não combinava com o taco envelhecido no chão? Meu deus, como aquilo era chato, agora eu sabia por que ninguém gosta de troca-la.

- D., vai ajudar o J.?

Ao colocar os pés em uma das portas da cozinha, reparo que ela é muito bem iluminada, mas o que eu estava pensando? Que idiota, eu já havia estado ali várias vezes, era óbvio que ela era bem iluminada, como sempre foi. De qualquer maneira, eu me encantei de novo, iluminação bem planejada, o que na minha opinião era o que mais dá um “UP” no visual de qualquer cômodo.  Decoração em branco e preto, assim como os eletrodomésticos, lustre de cristais, e talheres de prata, a minha cara.

Logo sinto um calor humano nas minhas costas, olho pelo canto do olho, era D. Lindo, cheiroso e a boca mais sexy que eu já havia visto na face da terra. Conforme eu jogava a água já sem oxigênio na pia de mármore negro, e abria a torneira para encher o recipiente de novo, eu sentia aquele calor, chegando cada vez mais perto de mim, até que eu sinto aquele hálito fresco de menta, e ouço uma respiração mais serena impossível no meu ouvido, era muito outrageous, muito sexy, um cheiro de 212 CH, um cheiro suave, nem muito exagerado, nem muito simples. Perfeito.

Sinto meu celular vibrando no bolso, estava tão concentrado no silêncio e naquele cheiro excitante, que acabo levando um susto. Fecho a torneira, deixo o recipiente ao lado do faqueiro com cabos de serpentes, cuidadosamente importado da Rússia, e pego meu celular na mão, já havia parado de vibrar. BBM, mensagem de B.: D. é bissexual, fica a dica.

Sinto um olhar atravessando meus ombros, e fitando meu celular. Era D. Logo viro de costas, e dou de cara com aqueles olhos verdes, aquela boca vermelha e linda, aquela pele perfeita, e aquele cabelo preto, liso, virado pra trás, com certo caimento para os lados.

- Posso?

Aquele sorriso encantador apareceu. E meu coração começou a querer pular pra fora da boca.

- Pode o que?

Meu deus, como eu era idiota, claro que eu sabia o que ele queria, e claro que ele podia!  Ele encostou seus lábios nos meus.

- Isso.

Ele me beijou, por 5 segundos, os quais eu não contei. Ainda colado em mim, ele ficou me olhando para ver qual era a minha reação, e como eu não disse nada, só fiquei encarando, ele deu aquele sorriso ma-ra-vilhoso, e me beijou, porém dessa vez sem medo, passou suas mãos por minha cintura, e me puxou meu corpo contra o dele. Eu estava nervoso, muito nervoso, era a minha primeira vez com algum garoto, eu mal e mal estava aproveitando o momento. Ouço passos de salto, provavelmente 15cm, caminhando em nossa direção, but, who cares? Só tinha amigos naquela cobertura naquele momento.

- Rola logo essa porcaria dessa maldita água, ou não rola?

Era B. exageradamente perfumada, Light Blue da Dolce & Gabanna, o mesmo perfume que ela usava há dois anos desde que largou aquela porcaria enjoativa e barata do Fantasy da Britney Spears.

- HMMMMMM, D. todo animadinho heim?

Na hora percebi aquele volume roçando na minha coxa que eu não havia percebido antes. D. estava mesmo todo animado comigo.

- Tem camisinhas na minha bolsa que está jogada em cima da cama, no meu quarto. São todas suas.

Dei uma risada que soou muito estranha, pois ainda estávamos nos beijando, sem parar qualquer coisa que eu não quisesse, ergui minha mão e mostrei meu dedo do meio para aonde eu tinha imaginado que B. estivesse parada. Barulhos de salto virando a volta, os quais, provavelmente como hoje seria uma noite muito especial para B., (seus pais estão na França, segundo eles, de férias, desestressando, e ela teria o apartamento inteiro só para ela ~ainda virgem~ e o namorado) eram Valentinos, apenas usado por B. em ocasiões em que ela queria se sentir uma diva especial, sem chamar muita atenção, apensar disso ser muito difícil para ela.

- Bye bitches, x, have a nice sex.

Quando os passos sumiram, D. me larga, para a minha infelicidade, pega na minha mão, e me puxa.

- Vem!

Ele me leva delicadamente pelas mãos, até chegarmos ao quarto de B. Rosa, enorme, luxuoso, moderno, e super paty style.

Inesperadamente e rapidamente, the sweetest boy in the world me vira rapidamente contra a parede, sua mão na minha, e me beija, morde meus labios vagarosamente, como se eles fossem feitos de açúcar. Eu estava sentindo isso, e estava gostando muito, algo estava crescendo, e não era eu, mas era meu. Ele tira a minha camiseta, e eu tiro a dele, uau, que corpo!

- Oh meu deus, o que eu vou fazer? – Pensei.

Ele me beijava com cada vez mais intensidade, cada vez mais força, eu estava muito nervoso, muito mesmo, estava começando a me sentir mal.

- Take off your pants and show me what you have for me! –Sussurrou D. no meu ouvido, com uma voz super I’m Chuck Bass.

Comecei a desabotoar a minha calça, lembrei que estava usando Calvin Klein como underwear, o que só me tornaria mais interessante. Senti o poder se movendo entre as minhas veias. E, BITCH, IM FABULOUS.

Meus sneakers by C. Louboutin foram atirados na parede por mim, ele gostou disso, eu vi na expressão que ele fez com sua sobrancelha perfeitamente desenhada. Ele me pegou pela bunda, me levantou e me jogou na cama, meu deus, que braços fortes eram aqueles? Encontrei a maldita bolsa, era uma Louis Vuitton estilo carteiro, provavelmente ela teria a usado para ir ao colégio essa manhã. D. pulou na cama do meu lado, e começou a brincar usando sua língua por cima da minha cueca, aquilo era tão sexy, era tão teenager.

Dentro da bolsa, havia de tudo, tudo mesmo. Perfume, pinça, iPod, maquiagem, remédios, tudo. Menos o que mais me interessava. Joguei tudo no chão para ver o que se eu achava, nada, e aquele mal estar que só crescia dentro de mim.

- Posso tirar pra fora?

- Pode fazer o que quiser!

Era molhado, e gelado, mas era muito gostoso, e eu sentia seus cabelos encostarem na minha barriga, e sua barba por fazer na parte de dentro da minha coxa. De repente eu senti que se eu não corresse agora mesmo, iria sair tudo pra fora. Eu saí correndo da cama king size, entrei no banheiro, e quase não deu tempo de chegar ao sanitário, coloquei tudo pra fora.

- Você está bem?

Bati a porta na cara dele. Eu não queria que ele me visse daquele jeito, não queria de jeito nenhum. Terminei de vomitar o que eu tinha que, escovei meus dentes com a escova nova que todos os amigos de B. sabiam que ela sempre tinha para emergências como essa, na última gaveta da fileira de gavetas da direita. O banheiro de B. era enorme, produtos profissionais e muitas luzes, banheira enorme e muitos espelhos. Tirei o que sobrou das minhas roupas, liguei a água quente da banheira, derramei sais de banho, espumantes e cremes. Destranquei a porta, entrei na banheira, e liguei a hidromassagem.

- Vem aqui comigo.

D. já estava nu quando passou pela porta, fechou-a, suas mãos super brancas na fechadura de ouro fizeram uma combinação perfeita. Ele sentou do meu lado naquela água quente, eu deitei no seu colo, ele me agarrou, ficou mexendo em meu cabelo enrolado, e eu dormi quase instantaneamente.

Acordei horas depois com S. mexendo nas maquiagens de B. atrás de alguma coisa, D. continuava dormindo, mas a água já estava fria. Abri um pouco o dreno, e liguei a água quente novamente, foi quando S. olhou pra mim e mexeu os lábios:

 - Cadê o pó que eu usei antes?

 - Mané pó, S, sai daqui!

 - Eu tenho que retocar o pó! CADÊ O PÓ?

 - QUE PÓ? DEVE ESTAR NA BOLSA!

 - O PÓ DA MAC QUE EU USEI ANTES! TUDO O QUE TINHA NA BOLSA VOCÊ JOGOU NO CHÃO E QUEBROU!

- SAAAAAAAAAAAAAI DAQUI!

S. foi embora. D., nem se mexeu embaixo de mim, perfeito como sempre. Acho que nunca fiz tanta leitura labial como tinha feito com S. Me agarrei mais ainda com D., que só moveu a cabeça para o outro lado, e deitei em seu peito de novo, assim dormimos até sermos acordados por B. no outro dia, sentada no chão, vomitando, com uma colher de brigadeiro em cima da pia. Levei um susto, mas ainda havia espuma na banheira, graças a Deus.

- Bom dia, querido. – Disse D.